terça-feira, 7 de julho de 2026

Distrito de Santo Antônio é criado no município de Severiano Melo/RN

O ano de 2017 ficou marcado como um dos mais importantes da história da comunidade de Santo Antônio, no município de Severiano Melo/RN. Após décadas de reivindicações e do esforço coletivo de seus moradores e lideranças, o antigo sonho de ver a localidade elevada à categoria de distrito tornou-se realidade. Em sessão itinerante realizada na própria comunidade, no dia 15 de dezembro de 2017, a Câmara Municipal de Severiano Melo aprovou, por ampla maioria — oito votos favoráveis e uma abstenção — o Projeto de Lei que criava oficialmente o Distrito de Santo Antônio. Dez dias depois, em 25 de dezembro de 2017, o então prefeito Dagoberto Bessa sancionou a lei, oficializando a criação do distrito e consolidando uma das mais importantes conquistas da história da comunidade. A elevação de Santo Antônio à condição de distrito representou o reconhecimento de sua relevância histórica, social, econômica e cultural para o município de Severiano Melo. A conquista simbolizou a realização de um sonho acalentado por gerações de moradores, muitos dos quais dedicaram parte de suas vidas a essa causa. Infelizmente, alguns dos pioneiros dessa luta não puderam testemunhar esse momento histórico, permanecendo, porém, eternizados na memória da comunidade por sua dedicação e perseverança. A população celebrou a conquista com grande entusiasmo e sentimento de orgulho. Mais do que uma mudança administrativa, a criação do Distrito de Santo Antônio representou o fortalecimento da identidade local, valorizando a história, as tradições e o protagonismo de um povo que jamais deixou de acreditar na realização desse antigo ideal.

Neci de Brito Almeida

NECI DE BRITO ALMEIDA Neci de Brito Almeida nasceu em 21 de novembro de 1940, no município de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte. Era filha de José Tertulino de Moura, conhecido como **Zé Binga**, e de Juvita de Brito Guerra, ambos já falecidos. Criada em uma família numerosa, conviveu desde cedo com os irmãos José de Brito Guerra (Zé Binga), Pedro de Brito Guerra (Pedro Binga), João de Brito Guerra, Francisco das Chagas de Brito Guerra (Marinheiro), Albeci de Brito Guerra, Maria de Brito Guerra (Nêga), Ozelita de Brito Guerra (Deita) e Antônio de Brito Guerra (Toinho). Os valores de união familiar, trabalho e solidariedade, aprendidos ainda na infância, marcaram profundamente sua personalidade e sua forma de viver. Realizou o ensino primário em Felipe Guerra. Aos 13 anos de idade, mudou-se para o município de Severiano Melo, estabelecendo-se na comunidade de Santo Antônio, onde construiu sua história e deixou um legado de dedicação ao próximo. Casou-se com o agricultor severianense Antônio Luís de Almeida, conhecido como **Antônio Belino**, com quem formou uma família alicerçada na fé, no trabalho e no respeito. Dessa união nasceram treze filhos: Isabel (in memoriam), José Antônio, Jucier, Genilda (in memoriam), Genir, Jureide, Jairton, Josaneide, Jailson, Jailza, Janedson, Jânio e Julierme. Ao lado do esposo, dedicou-se à agricultura, atividade que garantiu o sustento da família durante muitos anos. Com esforço, perseverança e espírito de sacrifício, enfrentou as dificuldades da vida no campo, cultivando diversas culturas e transmitindo aos filhos o valor do trabalho honesto. Sua vocação para a educação manifestou-se ainda muito jovem. Aos 17 anos, iniciou sua missão como professora na comunidade de Santo Antônio, em uma época em que a localidade sequer possuía uma escola estruturada. Posteriormente, passou a integrar o quadro da Escola Estadual Américo Holanda, onde contribuiu significativamente para a formação de inúmeras gerações. Também atuou no antigo Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), levando ensino e esperança a jovens e adultos que buscavam a oportunidade de aprender a ler e escrever. A religiosidade foi uma das marcas mais expressivas de sua vida. Devota de Santo Antônio, participou ativamente da Legião de Maria e tornou-se uma das principais colaboradoras da Capela de Santo Antônio. Não media esforços para contribuir com a realização da festa do padroeiro, percorrendo comunidades vizinhas em busca de doações e, muitas vezes, utilizando recursos próprios para ornamentar o altar da capela com flores. Sua dedicação às celebrações religiosas refletia sua profunda fé e seu compromisso com a comunidade. Além da atuação religiosa, destacou-se pelo envolvimento nas causas sociais e comunitárias. Foi membro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Severiano Melo, onde exerceu importantes funções em defesa dos agricultores. Também colaborou como mantenedora da Rádio de Severiano Melo, contribuindo para o fortalecimento da comunicação comunitária. Apaixonada pela vida pública e pelo desenvolvimento de sua comunidade, participou ativamente da política local. Colaborou em diversas campanhas eleitorais das então deputadas Sandra Rosado, na esfera federal, e Larissa Rosado, na esfera estadual. Em 2000, colocou seu nome à disposição da população ao candidatar-se ao cargo de vereadora pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB), com o propósito de representar os moradores de Santo Antônio e das comunidades vizinhas na Câmara Municipal de Severiano Melo. Embora não tenha sido eleita, permaneceu fiel ao compromisso de servir à população. Mesmo sem ocupar cargo eletivo, Dona Neci nunca deixou de exercer sua vocação para o cuidado com o próximo. Durante muitos anos, percorreu sítios e comunidades rurais visitando pessoas enfermas, realizando curativos, aplicando injeções e oferecendo conforto aos mais necessitados. Embora não possuísse formação na área da saúde, tornou-se uma referência pelo espírito solidário e pela disposição em ajudar aqueles que mais precisavam. No ambiente familiar, destacou-se como uma mãe dedicada e incansável. Ao lado de Antônio Belino, trabalhou arduamente para oferecer aos filhos educação, dignidade e oportunidades. Graças ao esforço do casal, a maioria dos filhos concluiu formação na área da educação, enquanto todos seguiram os ensinamentos de honestidade, respeito e responsabilidade transmitidos pelos pais. A hospitalidade também fazia parte de sua essência. Sua casa era conhecida pelas portas sempre abertas, acolhendo familiares, amigos e qualquer pessoa que necessitasse de um prato de comida, de uma palavra amiga ou de um gesto de carinho. Generosa e simples, transformava pequenos gestos em grandes demonstrações de amor ao próximo. Em 19 de abril de 2011, Dona Neci sofreu um infarto fulminante e faleceu, deixando uma profunda saudade entre familiares, amigos e toda a comunidade de Santo Antônio. Foi sepultada no cemitério da própria comunidade, local onde viveu a maior parte de sua vida e construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé, pela educação, pela solidariedade e pelo compromisso com o bem comum. Sua história permanece viva na memória daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la. Mulher de coragem, educadora, agricultora, mãe exemplar, líder comunitária e cristã dedicada, Dona Neci de Brito Almeida deixou um legado que ultrapassa gerações, servindo de inspiração para todos que acreditam no valor do serviço, da humildade e do amor ao próximo.

Sessão Solene em que a comunidade de Santo Antônio se torna Distrito de Santo Antônio em 2019

Em 2019 a Câmara Municipal de Severiano Melo realizou sessão solene em homenagem aos 90 anos de Dona Mariinha Holanda. A solenidade foi realizada no Distrito de Santo Antônio, terra que Mariinha representou por vários anos, seja como vereadora ou vice-prefeita.

Quadrilha Junina da Américo Holanda em 2013

Pedro Batista de Alcântara

**PEDRO BATISTA DE ALCÂNTARA: FUNDADOR DA CAPELA DE SANTO ANTÔNIO** Em 1924, aos 16 anos de idade, Pedro Batista de Alcântara recebeu de seus avós uma pequena imagem de Santo Antônio, trazida do Ceará por suas tias. Esse presente marcou o início de uma profunda devoção ao santo, que acompanharia toda a sua vida. Anos mais tarde, em 1950, Pedro Batista iniciou, na casa de seus pais, localizada no Sítio Tapaum (atual comunidade de Santo Antônio), as primeiras homenagens a Santo Antônio. As celebrações reuniam familiares, vizinhos e demais devotos, fortalecendo a fé e a união da comunidade. Em 1958, já casado com Maria Pinheiro e residindo em sua própria casa, juntamente com a esposa e as filhas, Pedro deu continuidade aos festejos em honra ao seu santo de devoção. Percebendo o crescimento da participação dos fiéis e a necessidade de um espaço adequado para as celebrações, decidiu, em comum acordo com sua família, doar um terreno para a construção de uma capela dedicada a Santo Antônio. Naquele período, Pedro Batista dispunha de apenas 30 cruzeiros, valor que havia economizado com a realização dos festejos religiosos. Contando com o apoio de familiares, amigos e moradores da comunidade, além da colaboração de irmãos de municípios vizinhos, iniciou a campanha para tornar esse sonho realidade. Em 1963, tiveram início as obras de construção da Capela de Santo Antônio. Nesse mesmo ano, foi celebrada a primeira Santa Missa na residência de Pedro Batista, presidida pelo Padre Amílcar Mota da Silveira, que, logo após a celebração, realizou a bênção do terreno onde seria erguido o templo. Em 1965, graças ao esforço coletivo e à dedicação da comunidade, a capela foi concluída. Em clima de grande alegria e fé, os moradores acolheram as imagens de Santo Antônio, padroeiro da comunidade, e de São Luís, seu copadroeiro, vindas da cidade de Salvador, na Bahia. A inauguração da capela representou a concretização de um sonho alimentado pela devoção de Pedro Batista de Alcântara e pelo compromisso da comunidade em preservar sua fé e sua tradição religiosa.

Grupo de Dança Pastoril - Valorização da Cultura do Distrito de Santo Antônio - Severiano Melo - RN

Pastoril Dona Neci - Apresentação realizada em 2019

Milton Holanda

Juvencio Martins da Costa

Quadra de Esportes Rivadavia Holanda Cavalcante localizada no Distrito de Santo Antônio. 14 de julho de 2023

Francisco Holanda Melo

Inauguração da Feira Livre no Distrito de Santo Antônio em 06 de setembro de 2019

Dona Mariinha Holanda

Maria de Holanda Sobrinha (Mariinha Holanda) Nascida em 10 de março de 1929, Maria de Holanda Sobrinha, carinhosamente conhecida como Mariinha Holanda, era filha de Antero Martins da Costa e Maria das Dores Cavalcanti. Na década de 1950, casou-se com Francisco Holanda Cavalcante, conhecido como Neném Belino, falecido em 1969. Dessa união nasceram vários filhos. Seu esposo exerceu o mandato de vereador no município de Itaú durante as décadas de 1950 e 1960, destacando-se pela dedicação às causas sociais e ao desenvolvimento da comunidade. Com a emancipação política de Severiano Melo, antigo povoado de Bom Lugar desmembrado de Itaú, Mariinha escreveu seu nome na história do município. Em 1965, participou da primeira eleição da cidade e foi eleita a primeira mulher vereadora de Severiano Melo, sendo reconduzida ao cargo nas eleições de 1968. Em 1972, aceitou o convite para concorrer ao cargo de vice-prefeita na chapa liderada por Francisco Ferreira Sobrinho. Vitoriosa nas urnas, tomou posse em janeiro de 1973, exercendo o mandato até janeiro de 1977. Tornou-se, assim, a primeira mulher a ocupar a Vice-Prefeitura de Severiano Melo, consolidando sua posição como uma das maiores pioneiras da participação feminina na política local. Após esse período, voltou a conquistar uma cadeira na Câmara Municipal nas eleições de 1982, assumindo o mandato em 1983 e permanecendo no Legislativo até 1988. No mesmo ano em que encerrou esse mandato, viu seu filho, Leonel Holanda Martins, ser eleito vereador do município, dando continuidade ao compromisso da família com a vida pública. Nas eleições municipais de 1992, Mariinha foi novamente eleita vice-prefeita, desta vez compondo chapa com o ex-prefeito Genildo de Freitas Melo. Empossados em janeiro de 1993, governaram o município até o final de 1996. Ao longo de sua trajetória, Dona Mariinha tornou-se uma das mais importantes lideranças políticas de Severiano Melo. Sua atuação foi marcada pelo compromisso com o bem-estar da população, pela simplicidade, pelo respeito às pessoas e pela dedicação às causas públicas. Foi a única ex-parlamentar viva das primeiras legislaturas do município, correspondentes aos períodos de 1965–1969 e 1969–1973, tornando-se uma referência da memória política severianense. Após seu falecimento, os poderes Executivo e Legislativo municipais emitiram notas de pesar destacando sua relevante contribuição para a história de Severiano Melo. Em uma das homenagens, foi ressaltado que "ela deixa um legado de dedicação à vida pública, marcada pelo compromisso com o bem-estar da população severianense e pela atuação firme e respeitosa nos espaços em que serviu." Além da atuação política, Dona Mariinha também deixou sua marca na vida religiosa do município. Devota de Santo Antônio, participou ativamente das atividades da Igreja, contribuindo para o fortalecimento da fé e das tradições religiosas da comunidade. Seu legado permanece vivo na história de Severiano Melo como exemplo de pioneirismo, liderança, serviço público e amor à sua terra, inspirando as novas gerações a exercerem a cidadania com responsabilidade, compromisso e espírito comunitário.

Desfile cívico 2018

Desfile Cívico no Distrito de Santo Antônio em 2018

Américo Holanda 24 de março de 2019

Alunos da Escola Estadual Américo Holanda no Distrito de Santo Antônio

Açude do Distrito de Santo Antônio em Dezembro de 2012