terça-feira, 7 de julho de 2026
Neci de Brito Almeida
NECI DE BRITO ALMEIDA
Neci de Brito Almeida nasceu em 21 de novembro de
1940, no município de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte. Era filha de José
Tertulino de Moura, conhecido como **Zé Binga**, e de Juvita de Brito Guerra,
ambos já falecidos. Criada em uma família numerosa, conviveu desde cedo com os
irmãos José de Brito Guerra (Zé Binga), Pedro de Brito Guerra (Pedro Binga),
João de Brito Guerra, Francisco das Chagas de Brito Guerra (Marinheiro), Albeci
de Brito Guerra, Maria de Brito Guerra (Nêga), Ozelita de Brito Guerra (Deita) e
Antônio de Brito Guerra (Toinho). Os valores de união familiar, trabalho e
solidariedade, aprendidos ainda na infância, marcaram profundamente sua
personalidade e sua forma de viver. Realizou o ensino primário em Felipe Guerra.
Aos 13 anos de idade, mudou-se para o município de Severiano Melo,
estabelecendo-se na comunidade de Santo Antônio, onde construiu sua história e
deixou um legado de dedicação ao próximo. Casou-se com o agricultor severianense
Antônio Luís de Almeida, conhecido como **Antônio Belino**, com quem formou uma
família alicerçada na fé, no trabalho e no respeito. Dessa união nasceram treze
filhos: Isabel (in memoriam), José Antônio, Jucier, Genilda (in memoriam),
Genir, Jureide, Jairton, Josaneide, Jailson, Jailza, Janedson, Jânio e Julierme.
Ao lado do esposo, dedicou-se à agricultura, atividade que garantiu o sustento
da família durante muitos anos. Com esforço, perseverança e espírito de
sacrifício, enfrentou as dificuldades da vida no campo, cultivando diversas
culturas e transmitindo aos filhos o valor do trabalho honesto. Sua vocação para
a educação manifestou-se ainda muito jovem. Aos 17 anos, iniciou sua missão como
professora na comunidade de Santo Antônio, em uma época em que a localidade
sequer possuía uma escola estruturada. Posteriormente, passou a integrar o
quadro da Escola Estadual Américo Holanda, onde contribuiu significativamente
para a formação de inúmeras gerações. Também atuou no antigo Movimento
Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), levando ensino e esperança a jovens e
adultos que buscavam a oportunidade de aprender a ler e escrever. A
religiosidade foi uma das marcas mais expressivas de sua vida. Devota de Santo
Antônio, participou ativamente da Legião de Maria e tornou-se uma das principais
colaboradoras da Capela de Santo Antônio. Não media esforços para contribuir com
a realização da festa do padroeiro, percorrendo comunidades vizinhas em busca de
doações e, muitas vezes, utilizando recursos próprios para ornamentar o altar da
capela com flores. Sua dedicação às celebrações religiosas refletia sua profunda
fé e seu compromisso com a comunidade. Além da atuação religiosa, destacou-se
pelo envolvimento nas causas sociais e comunitárias. Foi membro do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Severiano Melo, onde exerceu importantes funções em
defesa dos agricultores. Também colaborou como mantenedora da Rádio de Severiano
Melo, contribuindo para o fortalecimento da comunicação comunitária. Apaixonada
pela vida pública e pelo desenvolvimento de sua comunidade, participou
ativamente da política local. Colaborou em diversas campanhas eleitorais das
então deputadas Sandra Rosado, na esfera federal, e Larissa Rosado, na esfera
estadual. Em 2000, colocou seu nome à disposição da população ao candidatar-se
ao cargo de vereadora pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB), com o
propósito de representar os moradores de Santo Antônio e das comunidades
vizinhas na Câmara Municipal de Severiano Melo. Embora não tenha sido eleita,
permaneceu fiel ao compromisso de servir à população. Mesmo sem ocupar cargo
eletivo, Dona Neci nunca deixou de exercer sua vocação para o cuidado com o
próximo. Durante muitos anos, percorreu sítios e comunidades rurais visitando
pessoas enfermas, realizando curativos, aplicando injeções e oferecendo conforto
aos mais necessitados. Embora não possuísse formação na área da saúde, tornou-se
uma referência pelo espírito solidário e pela disposição em ajudar aqueles que
mais precisavam. No ambiente familiar, destacou-se como uma mãe dedicada e
incansável. Ao lado de Antônio Belino, trabalhou arduamente para oferecer aos
filhos educação, dignidade e oportunidades. Graças ao esforço do casal, a
maioria dos filhos concluiu formação na área da educação, enquanto todos
seguiram os ensinamentos de honestidade, respeito e responsabilidade
transmitidos pelos pais. A hospitalidade também fazia parte de sua essência. Sua
casa era conhecida pelas portas sempre abertas, acolhendo familiares, amigos e
qualquer pessoa que necessitasse de um prato de comida, de uma palavra amiga ou
de um gesto de carinho. Generosa e simples, transformava pequenos gestos em
grandes demonstrações de amor ao próximo. Em 19 de abril de 2011, Dona Neci
sofreu um infarto fulminante e faleceu, deixando uma profunda saudade entre
familiares, amigos e toda a comunidade de Santo Antônio. Foi sepultada no
cemitério da própria comunidade, local onde viveu a maior parte de sua vida e
construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé, pela educação, pela
solidariedade e pelo compromisso com o bem comum. Sua história permanece viva na
memória daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la. Mulher de coragem,
educadora, agricultora, mãe exemplar, líder comunitária e cristã dedicada, Dona
Neci de Brito Almeida deixou um legado que ultrapassa gerações, servindo de
inspiração para todos que acreditam no valor do serviço, da humildade e do amor
ao próximo.
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