Leonia de Brito Guerra
A história de Leonia de Brito Guerra Nunes e a
história da construção da Igreja de Santo Antônio
Leonia
de Brito Guerra Nunes nasceu em 1º de abril de 1966. Casou-se em 31 de janeiro
de 1983 com Francisco Bairon Nunes, com quem constituiu uma família formada por
quatro filhos e quatro netos.
Sua
trajetória na vida pública teve início por influência de seu sogro, Tota de
Estevão, um dos primeiros vereadores de Severiano Melo, que exerceu o mandato
em uma época em que os parlamentares não recebiam remuneração. Incentivada por
ele e também por importantes lideranças políticas locais, como Ranulfo Holanda
e Raimundo Alves, Leonia decidiu candidatar-se ao cargo de vereadora.
Nas
eleições de 1996 foi eleita vereadora, assumindo o mandato em janeiro de 1997.
Segundo ela, o exercício da função representou um grande desafio, pois grande
parte da população via o vereador como alguém responsável por oferecer ajuda
financeira, consultas médicas ou medicamentos, sem compreender plenamente o
verdadeiro papel do Poder Legislativo. Outro desafio foi atuar como vereadora
de oposição. Naquela legislatura, a Câmara Municipal contava com quatro
mulheres vereadoras: Leonia, Gorete, Lucila e Lenita, um fato marcante para a
política local.
Paralelamente
à atuação política, Leonia sempre manteve uma forte ligação com a Igreja
Católica. Desde a infância participou ativamente das atividades religiosas da
comunidade. Fez sua Primeira Eucaristia aos 12 anos, tendo como catequista
Lourdes Holanda, irmã de Mariinha Holanda, que se deslocava mensalmente de
Mossoró para catequizar as crianças da comunidade. Inspirada pelo exemplo de
seus pais, sempre demonstrou grande dedicação à Capela de Santo Antônio.
Ao
longo dos anos, participou de diversas pastorais e movimentos da Igreja, entre
eles a Catequese, a Liturgia e o Apostolado do Sagrado Coração de Jesus, coordenação
da Infância Missionária, colocando seu trabalho a serviço da fé e da
comunidade.
Sua
história também está profundamente ligada à construção da Capela de Santo
Antônio. O idealizador da capela foi seu tio, Pedro de Alcântara, enquanto Dona
Laurinda, esposa dele, era irmã de sua avó. Segundo Leonia, a iniciativa de
construir a capela nasceu de uma conversa entre seu tio Pedro e sua mãe. Ao
anunciar o projeto, Dona Maria, esposa de Pedro, chegou a questionar: "Você
é doido, Pedro? Com o que é que vocês vão construir uma capela?"
Mesmo
diante das dificuldades, Seu Pedro convidou a mãe de Leonia para ajudá-lo na
arrecadação de donativos. Na década de 1960, eles percorriam as comunidades
utilizando três burros com caçuás para recolher esmolas e contribuições dos
moradores.
Enquanto
isso, Seu Pedro organizou um grupo de homens para fabricar os materiais de
construção. Próximo ao local onde hoje existe um açude funcionava uma olaria,
onde foram produzidos os tijolos e as telhas utilizados na obra. Em seguida,
outro grupo realizou a limpeza do terreno onde seria construída a capela, que
na época era tomado por vegetação de xique-xique.
Para
arrecadar recursos, a comunidade promoveu o primeiro leilão, organizado pela
mãe de Leonia. As prendas eram doações dos moradores, como jerimum, melancia,
feijão, milho, galinhas e garrotes. Com o dinheiro arrecadado nos leilões e nas
esmolas, compravam o cimento, enquanto a areia e o arisco eram retirados da
própria comunidade, reduzindo os custos da construção.
Graças
ao esforço coletivo, a Capela de Santo Antônio foi concluída em 1963. As
imagens religiosas foram adquiridas em Salvador, na Bahia, por Seu Pedro e seu
irmão Tião. A primeira imagem de Santo Antônio permanece até hoje na igreja.
Como Seu Pedro era devoto de Santo Antônio e seu irmão Chiquinho era devoto de
São Luís, decidiram trazer as imagens dos dois santos, que passaram a fazer
parte da história religiosa da comunidade.
Em
1970, Seu Pedro deixou a comunidade e mudou-se para Mossoró, em razão de
problemas familiares. Após sua saída, Milton Holanda assumiu os cuidados da
capela durante aproximadamente dois anos. Posteriormente, Mariinha Holanda deu
continuidade a esse trabalho. Com o passar do tempo, a juventude passou a
participar mais ativamente da vida da Igreja, tendo Sérgio como uma de suas
principais lideranças. Atualmente, a administração da comunidade é realizada
por um conselho administrativo, do qual Leonia faz parte, mantendo viva sua
dedicação à Capela de Santo Antônio e à vida religiosa da comunidade.

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